A moeda americana teve alta de 0,98%, cotada a R$ 5,1606. Já a bolsa brasileira recuou 2,50%, aos 167.875 pontos.
Por Redação g1 — São Paulo
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 2,50% nesta terça-feira (11), aos 167.875 pontos. Foi a maior queda desde 12 de março, quando o índice caiu 2,55%. O dólar fechou em alta de 0,98%, cotado a R$ 5,1606.
O desempenho ruim teve como pano de fundo o cenário eleitoral no Brasil e as incertezas sobre o rumo dos juros no país. Os dois fatores foram citados em um relatório do banco JPMorgan, que reduziu a recomendação para a bolsa brasileira e afastou investidores estrangeiros.
Nos indicadores econômicos, a inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA, registrou mais uma desaceleração em julho, com alta de 0,07% no mês, após avanço de 0,16% no mês anterior. O resultado voltou a ficar dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, mas ainda está distante do centro, de 3%.
▶️ Também foi divulgada nesta terça a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, o BC afirmou que reagirá “com firmeza” caso a forte volatilidade dos preços do petróleo afete os preços no Brasil. Na semana passada, o BC cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.
▶️ Investidores também seguiram atentos aos desdobramentos do tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil. Nesta terça, a ApexBrasil lançou um plano para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados, com foco nos setores afetados pelas tarifas e na diversificação das exportações.
▶️ No exterior, as incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz continuaram a pesar nos mercados. Trump ironizou, na véspera, as exigências divulgadas pelo Irã para encerrar a guerra e afirmou que também exigia uma indenização do país “por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente”.
Diante do impasse, os preços do petróleo oscilaram nesta terça-feira. O barril do Brent, referência internacional, subiu 1,39%, a US$ 88,94. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 1,16%, a US$ 83,08 por barril.
Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo
As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, seguem no radar dos investidores.
- O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano “The New York Times” (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana.
Entre as exigências estão:
- a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã;
- a retirada das tropas americanas das proximidades do país;
- o pagamento de indenizações de guerra;
- a liberação de ativos iranianos congelados;
- o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e
- o encerramento das ameaças contra o país.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam “muito perto” de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito.
“Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve”, disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. “Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos.”
Na segunda-feira, no entanto, Trump ironizou o pedido de indenização do Irã que deveria ser pago por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em post no Truth Social, Trump disse que o regime iraniano deve indenizar “todas as pessoas que matou e feriu gravemente”, e falou que passará a fazer a mesma exigência nas futuras negociações entre os dois países.
“É uma ideia interessante, pois agora eu também exijo indenização do Irã, por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente com suas bombas de beira de estrada e nos muitos conflitos pelos quais são famosos. (…) Além disso, indenizações devem ser pagas às famílias das centenas de milhares de manifestantes inocentes que o Irã matou nos últimos 50 anos, sem mencionar os 52 mil que foram mortos nos últimos cinco meses. Instruí meus representantes a incluírem isso firmemente em todas as negociações futuras”, escreveu.
As divergências entre os dois países voltam a gerar dúvidas sobre a reabertura do Estreito e, consequentemente, preocupações com os impactos sobre a oferta global de petróleo e os preços da energia.
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