Notícias novelas Rio de Janeiro

Manoel Carlos, o Maneco, marcou era na TV com suas novelas e Helenas

Paulista de nascimento e carioca de coração, autor levou o bairro do Leblon e dramas familiares para lares de todo o país.

Manoel Carlos nasceu em São Paulo, em 1933, mas sempre se considerou carioca de coração. Mostrava esse amor nas novelas que fazia, com as paisagens do Rio de Janeiro e o cotidiano do Leblon, famoso bairro na Zona Sul da cidade.

O autor morreu neste sábado (10), aos 92 anos.

Maneco escreveu novelas que marcaram era na TV, como “Laços de Família”, “Por Amor” e “Mulheres Apaixonadas”.

Suas obras tinham protagonistas mulheres de nome Helena, vividas por grandes atrizes como Lílian Lemmertz, Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni e Taís Araújo.

As histórias discutiam dramas familiares, intrigas amorosas, traições e questões sociais como inclusão, alcoolismo, violência contra a mulher, doação de medula óssea e troca de bebês.

Filho de um comerciante e de uma professora, Maneco começou sua trajetória profissional aos 14 anos como auxiliar de escritório, mas já estava conectado às artes desde então, reunindo-se diariamente com um grupo de jovens na Biblioteca Municipal de São Paulo para ler e discutir literatura e teatro.

Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fabio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho faziam parte desse grupo, batizado de Adoradores de Minerva.

Manoel é pai da atriz Júlia Almeida e da roteirista de novelas Maria Carolina, que colaborou com ele em diversas obras.

O autor teve outros três filhos, que faleceram: o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida (morto em 1988), o diretor Manoel Carlos Júnior (2012) e o estudante de teatro Pedro Almeida (que morreu aos 22 anos, em 2014).

Estreia na carreira artística

Maneco é conhecido como autor de novelas, mas iniciou a carreira artística como ator.

Aos 17 anos, atuou no “Grande Teatro Tupi”, um programa de teleteatro da TV Tupi. No ano seguinte, foi premiado como ator revelação e estreou como produtor e diretor.

Em 1952, começou a escrever programas da TV e iniciou uma trajetória por várias emissoras, passando pela fase inaugural da TV Record e pela TV Itacolomi, de Belo Horizonte, além de uma estada no Jornal do Commercio, em Recife. Na TV Tupi, do Rio de Janeiro, adaptou mais de 100 teleteatros.

Na década de 1960, Manoel Carlos participou das últimas produções da TV Excelsior.

E na TV Rio, entre outros projetos, dividiu a redação do programa “Chico Anysio Show” com Ziraldo e Mário Tupinambá, e dirigiu “O Homem e o Riso”, também com Chico.

Na TV Record, fez parte da equipe que escreveu e produziu programas como “Hebe Camargo”, “O Fino da Bossa”, “Bossaudade”, “Esta Noite se Improvisa”, “Alianças para o Sucesso”, “Para Ver a Banda Passar” e “Família Trapo”.

Trajetória na TV

Maneco estreou na TV Globo como diretor-geral do “Fantástico” em 1972, permanecendo no programa por três anos.

Em 1978, fez sua primeira novela para a emissora, “Maria, Maria”, uma adaptação do romance “Maria Dusá”, de Lindolfo Rocha.

No mesmo ano, adaptou o romance “A Sucessora”, de Carolina Nabuco. A novela tinha estrelas como Susana Vieira, Rubens de Falco e Arlete Salles.

O autor se inspirou em sucessos da radionovela para consolidar seu estilo de escrita em dramaturgia.

Em 1980, além de escrever alguns episódios do seriado “Malu Mulher” – protagonizado por Regina Duarte –, foi convidado por Gilberto Braga para dividir a autoria de “Água Viva”.

A novela tinha um elenco de gigantes: Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Tônia Carreiro e Glória Pires, entre outras estrelas.

Além de suas históricas novelas, Manoel Carlos também escreveu minisséries como “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009).