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Pacheco e Lira reeleitos: veja 8 fatos que mostram o poder das presidências do Senado e da Câmara

Ambos estão na linha sucessória da Presidência da República e são responsáveis por pautar propostas e autorizar a instalação de CPIs. Também está nas mãos deles a autorização de impeachments.

Por Elisa Clavery e Beatriz Borges, TV Globo e g1

Ocupar a presidência de uma das Casas do Congresso Nacional exige articulação. Para conquistar o cargo, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL) tiveram que formar alianças e articular acordos para acomodar o interesse dos mais variados partidos.

 esforço se deve, em grande parte, ao poder que a função traz. Entre outras coisas, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado ditam o andamento das propostas – e podem acelerar, arquivar ou ignorar a tramitação de algum projeto.

▶️ Relação com o presidente da República: Os dois cargos também estão diretamente ligados à governabilidade do Executivo.

  • Um presidente da República não é capaz de avançar propostas de seu interesse sem a articulação com os dois cargos.
  • Recentemente, por exemplo, Pacheco decidiu não colocar em votação uma série de propostas consideradas essenciais para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
  • Entre as pautas de interesse de Bolsonaro “barradas por Pacheco” estão o projeto que regulamenta a prática do ensino domiciliar, conhecida como “homeschooling”, e a proposta que amplia a possibilidade de regularização fundiária de terras da União por autodeclaração – tema criticado por ambientalistas.

Veja abaixo 8 fatos que mostram o poder das presidências do Senado e da Câmara

1️⃣ Pautam os projetos: Os presidentes da Câmara e do Senado são responsáveis por pautar em plenário, por exemplo, projetos de lei, propostas de emenda à Constituição (PEC) e medidas provisórias encaminhadas pelo Executivo.

  • Esses parlamentares convocam sessões nas duas Casas e ditam a ordem dos trabalhos.
  • Eles podem, ainda, articular para acelerar a votação de alguma pauta, colocando em votação um requerimento de urgência a pedido de lideranças partidárias.
  • Por esse motivo, é fundamental que o presidente da República dialogue com os presidentes das duas Casas para avançar, no Congresso, pautas de seu interesse.

2️⃣ Estão na linha sucessória da Presidência da República: Os dois cargos estão logo após o vice-presidente para assumir o comando do Executivo.

  • presidente da Câmara é o terceiro na linha sucessória e assume na ausência do presidente e do vice-presidente.
  • presidente do Senado é o quarto na linha sucessória, assumindo o cargo na ausência dos demais.
  • No cargo de presidente da República, ambos podem, entre outras coisas, despachar do Planalto e sancionar leis aprovadas pelo Legislativo.

3️⃣ Decidem instalar as CPIs: Tanto na Câmara quanto no Senado, cabe aos presidentes analisar se há fato determinado para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

  • No caso do Senado, o pedido de CPI, que precisa ter pelo menos a assinatura de 27 senadores, deve ser lido pelo presidente da Casa durante sessão plenária.
  • Já na Câmara, os deputados precisam apresentar um pedido com, no mínimo, 171 assinaturas. Se o presidente entender que deve instalar a CPI, faz a determinação por meio de um despacho.
  • Os presidentes também têm a função de encaminhar a órgãos e entidades competentes as conclusões das investigações realizadas pela CPI.
  • Em 2021, contudo, Pacheco autorizou a instalação da CPI da Covid apenas após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso.

4️⃣ Definem relatorias de projetos no plenário: São os presidentes que designam quais parlamentares serão os relatores dos projetos que tramitam no plenário das Casas.

  • É comum que eles escolham parlamentares próximos e que tenham afinidade ou interesse no conteúdo da matéria.
  • O relator pode fazer mudanças no conteúdo de um projeto ou proposta que será apreciado pelos parlamentares.

5️⃣ Impeachment do presidente: O presidente da Câmara também pode autorizar a abertura de processo de impedimento contra o presidente da República. Por esse motivo, muitas vezes, o mecanismo se torna uma espécie de ameaça velada do deputado contra o chefe do Executivo.

  • Em 2015, o então presidente da Câmara Eduardo Cunha, à época do PMDB, decidiu abrir um processo de impeachment contra Dilma Rousseff, com quem mantinha uma relação espinhosa.
  • A relação entre Cunha e Dilma piorou depois que o governo apoiou o adversário do deputado na eleição para a presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
  • A decisão de Cunha ocorreu no mesmo dia em que a bancada do PT na Câmara anunciou que iria votar pela continuidade do processo de cassação que corria contra ele no Conselho de Ética.

6️⃣ Impeachment de ministros do STF: De acordo com a Constituição Federal, cabe ao Senado Federal processar e julgar os processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

  • A denúncia pode ser feita por qualquer cidadão. O presidente do Senado pode aceitar ou rejeitar a acusação da prática de crime de responsabilidade.
  • A depender da decisão, o processo é, ou não, analisado pela Casa Legislativa.
  • Em agosto de 2021, Rodrigo Pacheco, rejeitou um pedido de impeachment apresentado pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro, contra o ministro Alexandre de Moraes.

 Presidente do Senado pauta as sessões do Congresso: O líder do Senado também acumula a função de presidente do Congresso Nacional.

  • Com isso, ele é o responsável por convocar as sessões do Congresso para que deputados e senadores confirmem ou derrubem vetos presidenciais às propostas aprovadas pelo Legislativo, além de sessões para apreciação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), da Lei Orçamentária Anual (LOA) e de projetos de crédito suplementar.

8️⃣ Conduzem os trabalhos da Mesa Diretora: Os presidentes têm ainda a atribuição de conduzir a Mesa Diretora das duas Casas, que ditam funções legislativas e administrativas.

  • Entre as atribuições da Mesa, está o encaminhamento ao Conselho de Ética de requerimentos de abertura de processos contra parlamentares, a aprovação de medidas administrativas — como aumento da cota parlamentar — e a confirmação de decisões de cassação determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como aconteceu com a ex-senadora Juíza Selma (MT), em 2020, e com o ex-deputado Boca Aberta (Pros-PR), em 2021.

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