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No 1º debate, Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações e provocações

Candidatos discutiram segurança, economia, saúde e divergiram sobre maioridade penal e relação com os EUA; votação ocorre em 25 de outubro. Debate foi promovido pela Band.

Por Redação g1 — Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram na noite deste domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026.

Foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos em um debate nesta eleição.

O encontro, promovido pelo Grupo Bandeirantes, ocorreu uma semana antes da votação que vai definir o próximo presidente da República, marcada para 25 de outubro.

Ao longo de três blocos, Lula e Flávio discutiram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e redução da maioridade penal. Também trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações 

Os dois não participaram do primeiro debate presidencial promovido pela Band, em 23 de agosto, ainda durante o primeiro turno.

Primeiro bloco

No primeiro bloco, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro responderam a perguntas dos apresentadores e, na sequência, participaram de um confronto direto.

Pelas regras apresentadas pela Band, cada candidato teve um banco de 15 minutos para administrar durante o confronto.

1) Segurança pública

A primeira pergunta do debate foi sobre segurança pública. Os candidatos foram questionados sobre o avanço do crime organizado, o domínio de territórios por facções e milícias e a redução da maioridade penal.

Primeiro a responder, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, vai declarar “guerra ao narcoterrorismo” e classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. A classificação faz parte do plano de governo do candidato.

O candidato disse ainda que pretende recuperar territórios dominados pelas organizações criminosas e endurecer o tratamento contra integrantes de facções. Citou a lei antifacção e afirmou que líderes dessas organizações poderão ficar até 80 anos presos.

“Eu vou recuperar cada metro. Eu vou recuperar cada rua. Eu vou recuperar cada bairro. Eu vou recuperar cada cidade. Eu vou recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro”, afirmou Flávio Bolsonaro.

O senador disse ainda que criminosos serão “presos ou neutralizados pelas nossas polícias” e acusou o atual governo de adotar uma política de desencarceramento.

Lula foi o segundo a falar. Ele afirmou que a segurança pública é responsabilidade dos estados pela Constituição de 1988 e disse que a PEC da Segurança Pública ampliará a participação da União na área.

O presidente afirmou que, se a proposta for aprovada pelo Senado, criará o Ministério da Segurança Pública.

Lula também citou a Lei Antifacção e disse que seu governo pretende combater o crime organizado tanto nos territórios dominados pelas facções quanto entre integrantes de maior poder econômico.

A lei contra facções foi sancionada por Lula em março e ampliou penas e instrumentos de investigação.

O presidente defendeu ainda uma atuação conjunta de União, estados e municípios para recuperar territórios dominados por organizações criminosas e milícias.

“Para o trabalhador e para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão”, afirmou Lula.

Ele encerrou a resposta afirmando que seu governo fez, nos últimos quatro anos, “muito mais” no combate ao crime organizado do que havia sido feito anteriormente no país.

2) Economia

Na segunda pergunta do primeiro bloco, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro foram questionados sobre o baixo crescimento da economia brasileira, a dívida pública, os juros, a carga tributária e a recuperação do grau de investimento.

Primeiro a responder, Lula disse que o país precisa estimular o crescimento por meio da circulação de renda e do incentivo aos pequenos negócios.

O presidente citou políticas voltadas aos Microempreendedores Individuais (MEIs) e afirmou que pretende ampliar os incentivos ao setor para gerar emprego e desenvolvimento. O governo anunciou recentemente um pacote de medidas voltadas aos MEIs.

Lula também afirmou que o país está próximo de recuperar o grau de investimento e defendeu investimentos nas economias digital, verde e criativa.

Na sequência, Flávio Bolsonaro questionou a situação econômica das famílias e citou os preços dos alimentos.

“A sua vida melhorou ou piorou? A comida está mais cara ou está mais barata?”, perguntou Flávio Bolsonaro.

O candidato afirmou que o resultado do primeiro turno, no qual terminou à frente de Lula, provocou queda nas taxas de juros futuros.

Flávio Bolsonaro também criticou o crescimento da dívida pública e atribuiu o aumento do endividamento ao que chamou de “gastança” do atual governo.

Ele afirmou que pretende controlar os gastos para abrir espaço no Orçamento e disse que usaria os recursos tanto para reduzir a dívida pública quanto para ajudar famílias endividadas.

O plano econômico do candidato prevê um ajuste fiscal com cortes de gastos, embora parte das medidas ainda não tenha sido detalhada.

“Eu vou ajudar você a pagar a sua dívida. Eu vou ajudar o governo a pagar a própria dívida”, afirmou.

O candidato encerrou a resposta dizendo que pretende combater a corrupção e afirmou que tirar Lula da Presidência seria “o primeiro passo” para controlar o Orçamento.

Confronto direto

No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras.

Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto.

Em seguida, Flávio questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Roberta e Fábio Luís são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários. Roberta nega irregularidades e afirma que sua relação com Lulinha é de amizade.

Em nota divulgada no sábado (17), o Palácio do Planalto afirmou que Lula nunca teve interlocução com Roberta, nunca recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas pela empresária. Disse ainda que não existe contrato do governo federal com Roberta.

O embate passou então para acusações de corrupção.

Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados.

Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes.

Lula também cobrou explicações de Flávio sobre o pedido de R$ 134 milhões feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme.

Flávio é investigado no inquérito. Na sexta-feira (16), a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para a investigação.

Em entrevista à TV Globo também na sexta, Flávio afirmou que o contrato de R$ 134 milhões “não foi cumprido”. O senador nega irregularidades.

Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral.

Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro.

Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6×1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6×1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta.

Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda.

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