Por:Fabio Botto
O vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajni, lembrou que a ex-primeira-dama Marisa Letícia, esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e falecida em 2017, também tinha a cidadania italiana.
A declaração foi dada quando ele comentou a fuga para os Estados Unidos de Flávio Bolsonaro (PL), após perder as eleições presidenciais para o petista.
“Os passaportes de Flávio e de seus irmãos, assim como o passaporte concedido à senhora Lula, já falecida, foram emitidos porque eles tinham direito a obtê-los com base no ius sanguinis”, comparou Tajani.
“Contudo, como entendi que os documentos estavam sendo concedidos de forma um tanto generosa — não porque as normas estivessem sendo violadas, mas porque eram permissivas demais —, alteramos o regulamento com regras mais rigorosas”, acrescentou o vice-premiê, referindo-se à nova lei de cidadania italiana, que determinou que a nacionalidade pode ser transmitida apenas por pais ou avós nascidos na Itália.
A declaração gerou críticas por parte do deputado de oposição Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), que ontem questionou o governo no Parlamento sobre o processo de reconhecimento da cidadania para os filhos de Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo.
Para Bonelli, a comparação foi “extremamente inoportuna e indelicada”.
“Marisa Letícia era descendente de imigrantes italianos e jamais utilizou sua cidadania italiana para se esquivar da lei. Já os irmãos Bolsonaro estão fugindo do sistema judiciário brasileiro”, frisou o deputado.



